quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Transcrição de Entrevista



Entrevistadora: Teresa Küffer do grupo Quatro
Entrevistado: David Azevedo, professor do Ensino Básico no EPE - Área Consular de Zurique

Bloco I - Legitimação da entrevista

David, primeiro de tudo quero informar-te, quero agradecer-te teres participado nesta entrevista, ou participares nesta entrevista, nós estamos a fazê-la no âmbito do mestrado em Comunicação Educacional Multimédia, da Universidade Aberta, para a disciplina ou unidade curricular Métodos de Investigação em Educação em 2011, sob a orientação do docente António Moreira. Foi estruturado para dar o conhecer o uso ou as perspectivas para o uso das redes sociais na educação.
Toda a informação que for recolhida vai ser confidencial. Toda a informação poderá ser, por exemplo o teu nome poderá ser exposto, eu duvido, mas poderá ser exposto, caso tu o permitas e no final poderás saber, caso o desejares, poderemos te dar as conclusões desta entrevista ou do conjunto das entrevistas, das conclusões gerais que nós, os estudantes, fize(r)mos. Terá cerca de 20 minutos em princípio, mas pode acrescer ou diminuir dependente das respostas e do desenvolver da própria entrevista.
Está bem.


Bloco II - Identificação do entrevistado

Então vamos lá. Qual é a tua idade?
Tenho 31 anos no momento.
Que formação académica é que tens?
Sou licenciado no curso de Professores de Ensino Básico – 1.° Ciclo.
Então és do ensino básico, não é?. Qual é o grupo de recrutamento?
É o 110.
O 110. Há quantos anos é que ensinas? Quantos anos de serviço tens?
5 anos. Tenho 5 anos de serviço.
Já frequentaste alguma formação nas TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação)?
Nas TIC propriamente não. Sou um autodidata nessa área. Tive no… tive durante o curso a disciplina de TIC, mas ainda não fiz nenhum curso complementar.
Ok.Já realizaste algum projeto TIC?
Projetos TIC?
Sim.
Muitos, muitos.
Queres falar de alguns em especial?
Tenho o meu blog pessoal, que uso para divulgar as coisas que faço na sala de aula e outras coisas que vou lendo em revistas de pedagogia e de didática, com uma rede social própria, com 656 inscritos. Pronto! E esse projeto ocupa-me muito tempo. É isso que eu faço na área das Tecnologias de Informação e Comunicação.


Bloco III - Caracterização da instituição

Eu agora tenho aqui uma pergunta que eu se calhar vou ter que adaptar, que é: Que meios informáticos tens no estabelecimento de ensino que lecionas?, que no teu caso é nos  estabelecimentos de ensino onde lecionas, se tens aparelh…pronto…
Eu como trabalho em vários estabelecimentos de ensino…
Tens acesso em todos?
Não. É assim, os meios são muito diferentes. Tenho numa escola secundária em que tenho os projetores multimédia mais topo de gama que existem no mundo, que é a Escola Secundária Steig, e tenho outros sítios onde leciono em que nem sequer tenho projetor. Por isso, as diferenças…
...são imensas.
…vão de oito a oitenta


Bloco IV - Uso das TIC nas práticas pedagógicas

Em que contextos pedagógicos utilizas recursos tecnológicos?
Ora bem, eu na sala de aula, quanto tenho recursos, quando tenho material e equipamento trabalho, quando não tenho, quando só tenho o meu desktop, o meu… desktop não, o meu computador pessoal, só o uso para ouvir alguma música ou ouvir um diálogo,… alguma coisa relacionada com o manual escolar.
Alguma vez desististe de utilizar algum recurso tecnológico por falta de limitações técnicas ou por limitações técnicas (equipamento/software/internet/ utilização informática)?
Não, mesmo quando… já visionámos filmes interessantes e não havia projetor para fazer as coisas em grande, faz-se as coisas em pequeno, usa-se o computador pequenino, junta-se mais as crianças, apaga-se as luzes e acho que a magia também funciona assim.
Ok. Utilizas a internet na prática pedagógica?
Não.
A internet, não?
Muito raramente, muito raramente. Às vezes já me aconteceu pesquisar um assunto da atualidade e até mesmo por solicitação dos alunos: “Professor, tem, consegue ter acesso à internet? Consegue procurar isso na internet?” E eu isso já fiz, mas não é a prática comum.


Bloco V - Redes Sociais nas práticas pedagógicas

Falaste à pouco que tinhas uma rede social própria, para que fins a criaste?
Bem, para partilha de informação, partilha de ideias e… de recursos.
Ok. Como vês a interação dos alunos com o próprio professor e entre si numa redes sociais?
É assim. É extremamente difícil pôr isso a funcionar, até porque os professores não são uma classe voluntária. Não vejo muito voluntarismo nos professores. Vejo muita competição, muito… se aquela ideia é boa estão sempre muito com o pé atrás e não colaboram muito. Por isso, é difícil haver um espaço que seja feito por professores que funcione, mas existem outras plataformas que eu conheço, não sei até que ponto elas elas são muito …conseguem interagir… fazer interagir alunos com professores
Na tua opinião, quais as principais vantagens e desvantagens do uso das redes sociais em contexto educativo? Vamos primeiro às vantagens, se calhar.
Ora bem, as vantagens… As vantagens é nós sentirmos que não estamos sós, porque quando ós estamos frente a um computador e normalmente é um monólogo, estamos isolados do mundo, sabermos que certo número de pessoas comentou, há um número de pessoas que comentou uma experiência ou atividade que estamos a fazer ou que nos deram gostos àquilo que fizemos são interações com os outros e isso faz-nos sentir que não estamos sozinhos naquele momento, a fazer, a ter esse ato de aprendizagem… Portanto a vantagem de estar numa rede social a aprender é que podemos simular o contexto de sala de aula…Portanto as brincadeira, o… Todas essas coisas que acontecem na sala de aula. Pronto. É diferente de estar a estudar sozinho e só para nós e sem convívio.
E desvantagens? Vês alguma desvantagem?
A desvantagem é que a aprendizagem, o esclarecimento das dúvidas é indeferido. Portanto, enquanto que no contexto real há uma dúvida e é logo esclarecido pelo professor  no contexto da rede social, e eu conheço bastantes, portuguesas e est… portuguesas conheço a minha, e mais duas, que são uma da Porto Editora, que é a Brip, e outra que é um projeto Educa… Já não sei bem como é que se chama já. Mas conheço inglesas e americanas muitas, por exemplo… Agora até me estou a esquecer. Mas a nível da aprendizagem das línguas estrangeiras, conheço bastantes. Mas nessa perspetiva nós temos que esperar sempre por uma comunicação, por um email, que pode surgir ou 5 minutos, ou 10 minutos, ou uma hora, ou duas horas, ou um dia. E ou nós batalhamos para superar essa dúvida e se calhar quando chega a resposta do professor já nós avançamos para outra coisa ou já esclarecemos essa questão e aí pode demorar um bocadinho mais.
De que forma é que as redes sociais podem promover na tua opinião um desenvolvimento de competências dos alunos? (Podem devolver?) Que tipo de competências é que pode(m) ser desenvolvidas?
Que podem desenvolver?
Sim
Ora bem, acho que podem desenvolver competências além de… iguais às que estão em sala de aula. Não vejo que possa desenvolver nem mais nem menos dos que estão na sala de aula, a não ser nas disciplinas específicas como por exemplo Educação Visual e Tecnológica, Educação Física, Educação Moral e Cívica. Acho que a esse nível, nós não conseguimos nas redes sociais ainda fazer isso e acho que vai ser mesmo impossível nessas 3 disciplinas que eu falei, agora nas outras acho que se consegue os mesmos resultados.
E como é que tu vês a sua participação como educador numa rede social?
Ora bem, a minha participação é voluntária, portanto não tenho nenhum tipo de lucro, profit, para o meu bolso e por isso isso continuo a tentar ajudar outras pessoas que não conheço e ajudo bastantes, não digo milhares, mas ao longo dos anos já tenho ajudado dezenas a centenas de pessoas de uma forma voluntária, de uma forma que o meu papel de professor é estar na sala de aula, mas quando também vou para a rua e estou em casa também continuo no mesmo papel de professor e é uma profissão 24 horas por dia


Bloco VI - Tendências e futuras práticas

Eu agora perguntava-te: De que forma as práticas pedagógicas atuais em sala de aula podem sofrer alterações devido ao uso generalizado das redes sociais por jovens e adolescentes? Como é que a sala de aula… o que se passa, como é que a Educação pode se alterar com o uso das redes sociais?
É assim, como tudo na vida se não houver uma utilização regrada vão-se criar abusos. Deixa-me pensar e dar aqui um exemplo… Estão a fazer experiências e não há ainda resultados concretos sobre a utilização de alguns instrumentos na sala de aula. Por exemplo, eu estou aqui na Suíça e no ano passado houve um programa em que ofereciam um iphone. Houve uma escola piloto em que todos os alunos tiveram um iphone e as conclusões do projeto foram no sentido em que não valeria a pena um investimento nesse equipamento para os alunos e portanto não se generalizou. A ideia era se aquilo resultasse todos os alunos da Suíça iriam ter esse material, mas não foi avante. Mas… E não é só isso, questões de cópia, de cábulas. Se nós temos um sistema em que podemos ter uma comunicação que não é visível, que não é bem visível e detetável, os alunos vão sempre arranjar maneira de facilitar o seu trabalho e se têm um texto de um colega do lado já elaborado é só copiar para o computador deles e mudar algumas coisas e já está. E isso é diferente do sistema tradicional, em que só com uma transação física… é que podemos copiar. Essa parte do copiar, recentemente na Austrália, houve uma mãe que estava a comunicar com o seu filho, por auricular. Portanto, ele ou tirava fotografias com o seu telemóvel e ela, por auricular, ele também tinha o seu auricular, dava as respostas para o filho.
O que estás a dizer é que se existe um sistema generalizado das redes sociais poderá isso afetar as nossas práticas educativas, ou não?
Vai afetar, vai e não é um mar de rosas para a profissão porque é assim: Se nós… o problema é que o custo do ensino através das redes sociais é muito menor do que um curso em contexto de sala de aula, porque não pagamos aquecimento, não temos eletricidade da escola, não pagamos material escolar com o peso que tem o papel, não pagamos as deslocações para a escola e já existem muitos projetos, especialmente dos Estados Unidos da América, onde as aulas têm uma componente presencial e uma componente não presencial, que é o chamado b-learning. E eu sinto que isso se vai generalizar e vai, consequentemente, dar mais desemprego à área dos professores. Portanto… Agora, é tudo imprevisível: se nós nos adaptamos bem, se resulta melhor do que está. É tudo imprevisível, porque isto tem um par de anos e estamos no nascimento e o problema é que nós nas tecnologias de quatro em quatro anos dobramos a nossa capacidade de fazer coisas. Portanto, o que estamos agora em 2011, em 2017 era impensável e em 2015 será impensável ou é muito difícil prever como é em 2015. Como é que vamos estar daqui a quatro anos.
Falando nisso, pensas integrar novos recursos da web 2.0 na tua prática educativa?
Eu penso que quero integrar também um bocado na sala de aula, nas sobretudo nos trabalhos para casa. Sobretudo na continuidade do trabalho da sala de aula para o trabalho de casa tem muitas mais vantagens.


Bloco VII - Agradecimentos

David, não sei se queres…
Quero fazer referência à minha rede social. Então é o www.ensinobasico.com, tem dois anos e recebe, tem um milhão de páginas visitadas todos os dias, 150 mil visitantes por mês. Portanto, estão também convidados a vir.
Obrigada pela entrevista. Nós agradecemos, a equipa, e caso queiras os resultados, os resultados, as conclusões a que nós chegamos, facultar-te-ei com gosto.
Está bem. Se tiver oportunidade de os pedir, posso pedir.








Sem comentários:

Enviar um comentário

Gregório Marañón dizia "O crítico é também um colaborador". Colabore neste espaço de aprendizagem!