Este método de recolha de dados é frequentemente associado com o método qualitativo, mas pode ser igualmente usado no método quantitativo.
Segundo Fehring (2009), citando Minichiello, Aroni, & Hays (2008), a entrevista é um processo complexo e envolvente quando usado como uma ferramenta de pesquisa social.
Segundo Coutinho, citando Powney et Watts, a entrevista pode ser catalogada em duas grandes categorias: orientada para a resposta e orientada para a informação. Quando é orientada para a resposta, o entrevistador mantém o controlo no decurso de todo o processo. Orientada para a informação quando visa circunscrever a percepção e o ponto de vista de uma pessoa ou grupo de pessoas perante uma dada situação. Esta ideia é partilhada por Hoepfl (1997), quando parafraseia Bogdam & Bicken (1982):
Qualitative interviews may be used either as the primary strategy for data collection, or in conjunction with observation, document analysis, or other techniques.
Ademais, Coutinho refere que Pourtois e Desmet (1988) preferem a utilização da entrevista não directiva, processo interactivo onde o investigador deve encorajar a livre expressão do sujeito através de uma escuta atenta e activa, do que a entrevista clínica que em linhas gerais correspondem à designada entrevista orientada para a resposta por Powney e Watts (1989).
Segundo Hoepfl, Patton indica três tipos de entrevistas qualitativas:
1) entrevistas informais ou de conversação
2) Entrevistas semi-estruturadas
3) Entrevistas estandardizadas
Já Cohen, Manion, & Morrison (2005, pp. 207-273) indica que existem quatro tipos principais de entrevistas:
2) Entrevistas semi-estruturadas
3) Entrevistas estandardizadas
Já Cohen, Manion, & Morrison (2005, pp. 207-273) indica que existem quatro tipos principais de entrevistas:
(a) a entrevista estruturada
Cujo conteúdo e procedimentos são organizados antecipadamente, sabendo-se a sequência do questionário e a duração prevista para o mesmo, deixando pouca liberdade para modificações. É caracterizada por ser uma situação fechada.
(b) a entrevista não-estruturada
(c) a entrevista não-diretiva
Cuja principal característica é a minimização do controle e direção por parte do entrevistador e a liberdade do entrevistado em expressar as suas opiniões e sentimentos subjetivamente e de forma espontânea da forma como este pode e consegue.
The informant is encouraged to talk about the subject under investigation (usually himself) and the course of the interview is mainly guided by him. There are no set questions, and usually no predetermined framework for recorded answers. The interviewer confines himself to elucidating doubtful points, to rephrasing the respondent’s answers and to probing generally. It is an approach especially to be recommended when complex attitudes are involved and when one’s knowledge of them is still in a vague and unstructured form. (Moser and Kalton, 1977)
(d) a entrevista focalizada
É o resultado duma tentativa de devolver um pouco mais o controlo ao entrevistador numa situação não-diretiva.. Cohen, Manion, & Morrison citam Merton and Kendall (1946),
In the usual depth interview, one can urge informants to reminisce on their experiences. In the focused interview, however, the interviewer can play a more active role: he can introduce more explicit verbal cues to the stimulus pattern or even represent it. (Cohen, Manion, & Morrison, 2005)
Segundo Cohen, Manion, & Morrison (2005), dever-se-á seguir os sete passos referidos por Kvale para a criação de uma entrevista que pretende respostas para um processo de investigação:
- Tematizar o propósito da entrevista, indicar os motivos que a orientam e descrever os tópicos a investigar (definição de "O quê?" e "Porquê?")
- Desenhar a entrevista tendo em conta todos os passos da investigação
- Entrevistar baseando-se num guião os entrevistados tendo em conta os dados a recolher para a investigação
- Transcrever a entrevista de texto oral para escrito
- Analisar os dados obtidos nas entrevistas
- Verificar/Validar a fiabilidade dos dados obtidos
- Comunicar os resultados à comunidade científica.
Tendo isto em conta, repare-se na seguinte proposta de Alcino (1998-200?) que julgo relevante no que se refere às atividades a ter em mente no passo 2. Desenhar a entrevista tendo em conta todos os passos da investigação:
Etapas a seguir na elaboração do guião de entrevista
1. Descrição do perfil do entrevistado (nível etário, escolaridade, nível socio-cultural, personalidade,...);
2. Selecção da população e da amostra de indivíduos a entrevistar;
3. Definição do propósito da entrevista (tema, objectivos e dimensões);
4. Estabelecimento do meio de comunicação (oral, escrito, telefone, e-mail, …), do espaço (sala, jardim, …) e do momento (manhã, duração, …);
5. Discriminação dos itens ou características para o guião;
5.1. Elaborar perguntas dos itens, de acordo com o definido nos pontos anteriores;
5.2. Considerar as expectativas do entrevistador;
5.3. Considerar as possíveis expectativas dos leitores/ouvintes;
5.4. Formular perguntas abertas (O que pensa de...?) e fechadas (Gosta de...?);
5.5. Evitar influenciar as respostas;
5.6. Apontar alternativas para eventuais fugas à pergunta;
5.7. Estabelecer o número de perguntas e proceder à sua ordenação, dentro de cada dimensão;
5.8. Adequar as perguntas ao entrevistado, seleccionando um vocabulário claro, acessível e rigoroso (sintaxe e semântica);
6. Produção do guião com boa apresentação gráfica;
6.1. Redigir o cabeçalho com identificação (instituição, proponentes, título, data)
6.2. Incluir uma apresentação sucinta da entrevista, incluindo os objectivos;
6.3. Alinhar as perguntas na vertical e com espaçamento ajustado;
6.4. Utilizar tipo de letra legível, parágrafo justificado, margens da página com 2 cm e, eventualmente, imagens à direita do texto;
7. Validação da entrevista pela análise e crítica de personalidades relevantes.
Simões, Alcino. (1998-200?)
Ainda em relação a este tema deixava-vos duas apresentações sobre este tema, bem como uma página sobre as vantagens e desvantagens da condução de uma entrevista através da internet, disponível em http://www.restore.ac.uk/orm/interviews/intads.htm
O processo de recolha de dados - entrevista
Bibliografia:
Cohen, L., Manion, L., & Morrison, K. (2005). Research Methods in Education. Obtido em 25 de 10 de 2011, dehttp://www.mums.ac.ir/shares/nurse/nurse_coll/EDO/manabe%20Amuzeshi/research%20method%20in%20education.pdf
Coutinho, C. (s.d.). Técnicas de recolhas de dados. Obtido em 24 de 10 de 2011, de Utilização do WIKI no Mestrado em Tecnologia Educativa: http://claracoutinho.wikispaces.com/T%C3%A9cnicas+de+recolhas+de+dados
Fehring, H. (2009). Book Review: In-Depth Interviewing. Principles, Technique, Analysis. Obtido em 25 de 11 de 2011, de Eurasia Jornal of Mathematics, Science & Technology Educaiton: http://www.ejmste.com/v5n3/EURASIA_v5n3br_Fehring.pdf
Hoepfl, M. C. (1997). Choosing Qualitative Research: A Primer for Technology Education Researchers. (M. Sanders, Ed.) Obtido em 6 de 9 de 2011, de Jornal of Technology Education: http://scholar.lib.vt.edu/ejournals/JTE/v9n1/hoepfl.html

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